A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta semana mais uma fase da Operação Overclean, com foco no combate ao desvio de verbas públicas na Bahia. A nova etapa da investigação tem como objetivo desarticular um esquema criminoso que teria operado o uso indevido de emendas parlamentares e contratos federais para beneficiar empresas de fachada, com apoio de servidores públicos.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em ao menos cinco cidades baianas: Salvador, Camaçari, Boquira, Ibipitanga e Paratinga. Além das buscas, houve o afastamento cautelar de servidores públicos, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A estimativa é que o grupo tenha movimentado ilegalmente cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos entre os anos de 2021 e 2024.
De acordo com as investigações, os recursos públicos, que deveriam ser aplicados em obras e serviços de interesse social, foram redirecionados para empresas fictícias ou ligadas a membros do esquema. O modus operandi envolvia superfaturamento, contratos simulados e lavagem de dinheiro. A maior parte dos contratos estava vinculada ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), ampliando a gravidade das suspeitas.
Essa já é a quarta fase da Operação Overclean, que vem sendo realizada desde o final de 2024, e conta com o apoio também da Receita Federal e do Ministério Público Federal. As etapas anteriores resultaram em prisões preventivas, apreensão de bens de luxo e bloqueio de valores milionários.
As autoridades envolvidas ressaltam que o trabalho continua em andamento e que novas fases podem ocorrer à medida que forem surgindo novos elementos. A Operação Overclean se consolida como uma das principais ações de combate à corrupção no Nordeste, evidenciando a importância da fiscalização rigorosa dos recursos públicos e da atuação conjunta dos órgãos de controle.