O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido por sua forte presença nas redes sociais, foi afastado do cargo por determinação judicial, no âmbito da segunda fase da Operação Copia e Cola da Polícia Federal (PF). O cerne da investigação aponta para um sofisticado esquema de desvio de recursos públicos da área da saúde, orquestrado por meio de fraudes em contratos com Organizações Sociais (OS), onde o dinheiro de propinas (apelidado de "entradas" em uma contabilidade paralela) teria sido lavado através de uma empresa de publicidade em nome da primeira-dama e transações financeiras suspeitas envolvendo uma igreja evangélica ligada a seus cunhados.
Os Dados da Suspeita e o Mecanismo da Fraude
A investigação da PF e o Ministério Público Federal (MPF) tiveram início em 2022 e se aprofundaram na gestão de contratos emergenciais, principalmente na área da saúde. Os dados levantados detalham o complexo mecanismo de corrupção e lavagem:
Contratos e Desvios: As suspeitas envolvem fraudes em licitações e contratos que somam milhões de reais com uma OS, a qual já é investigada por irregularidades em outras cidades.
Dinheiro e Parentesco: A primeira fase da operação, em abril, culminou na apreensão de uma grande quantia em espécie, cerca de R$ 863 mil, em um veículo ligado aos cunhados de Manga, pastores Josivaldo e Simone Batista.
Lavagem de Dinheiro: A segunda fase identificou que a lavagem das propinas supostamente desviadas passava por duas vias principais:
Empresa da Primeira-Dama: A empresa de publicidade registrada em nome da esposa do prefeito, Sirlange Rodrigues Frate Maganhato, teria sido usada para justificar a movimentação de recursos ilícitos.
Igreja: Um contrato de R$ 750 mil entre a igreja ligada aos cunhados e a empresa da primeira-dama é visto pela PF como um possível meio de "esquentar" o dinheiro de propina.
Bens Sequestrados: A Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens dos investigados em um valor aproximado de R$ 6,5 milhões.
Repercussão e Defesa
O afastamento preventivo, determinado por um período de 180 dias, visa impedir a interferência do prefeito nas investigações e no funcionamento da administração pública. O vice-prefeito, Fernando Neto (PSD), assumiu o cargo.
Em sua defesa, o prefeito Rodrigo Manga negou veementemente as acusações, classificando o afastamento como um ato de perseguição política motivada por suas ambições de projeção nacional. Ele e os demais citados alegam inocência e que a ação da PF é descabida.
O episódio lança uma sombra sobre a política local e nacional, expondo a vulnerabilidade do sistema de contratação pública e a urgência de mecanismos mais rígidos de fiscalização, especialmente em um contexto onde figuras públicas utilizam o apelo popular e as redes sociais para construir uma imagem de integridade. Os investigados devem responder, conforme suas condutas, por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.