Fraude bilionária no INSS resulta na prisão do ex-presidente Alessandro Stefanutto
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (13), o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, durante a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes bilionárias envolvendo benefícios previdenciários, pagamento de propinas e manipulação indevida de dados internos do órgão. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão em diferentes estados, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
De acordo com as investigações, Stefanutto teria recebido cerca de R$ 250 mil por mês em propina para facilitar a atuação de grupos criminosos que desviavam recursos públicos por meio de descontos irregulares, manipulação de cadastros e concessões indevidas. A PF afirma que o esquema funcionava através do acesso privilegiado a sistemas internos e do favorecimento de empresas envolvidas na fraude.
A operação também mira outros servidores e ex-gestores da Previdência, além de agentes políticos que teriam atuado para sustentar o esquema. A PF não descartou a possibilidade de novos mandados nos próximos dias, diante da quantidade de provas apreendidas.
Embora o caso tenha repercussões políticas por envolver um ex-presidente do INSS que atuou durante a gestão atual, a investigação ainda não aponta ligação direta entre o esquema e autoridades do governo federal. Até o momento, os elementos reunidos se concentram na atuação interna do órgão e na participação de operadores que exploravam brechas e influências administrativas.
A defesa de Stefanutto afirma que ele irá colaborar com as autoridades e nega qualquer envolvimento em irregularidades. O caso segue sob sigilo parcial, e novas informações devem ser divulgadas à medida que a PF avança na análise do material apreendido.
A Operação Sem Desconto amplia o alerta sobre fragilidades nos sistemas previdenciários e reacende o debate sobre controles internos, transparência e blindagem contra práticas de corrupção em órgãos públicos que administram grandes volumes de recursos.